Almoço solidário de Natal

Voluntários londrinenses oferecem alimentação e presentes a moradores de rua há 34 anos
Ricardo Chicarelli
Além de um farto almoço, as crianças receberão brinquedos do Papai Noel
a
Londrina – Tradicional festa cristã, o Natal é considerado por muitas pessoas como um momento de união familiar, de celebração da vida e das conquistas alcançadas ao longo do ano. Mas para uma grande família de Londrina, a data tem um significado ainda mais profundo. Para ela, é o momento de concretizar o amor ao próximo por meio de ações voluntárias. É esse o desejo que tem movido cerca de 50 voluntários da Associação Ajuda Fraterna (FAC) a promover o tradicional almoço de Natal para moradores de rua e famílias carentes da cidade, no salão da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, na Vila Sian (Zona Leste). Esta é a 34 edição da festa, que durante todos esses anos já beneficiou cerca de 13 mil pessoas, segundo a estimativa do coordenador da FAC, Amauri Campos. ”É sempre uma satisfação muito grande participar deste almoço de Natal. Há mais de 30 anos que toda a minha família comemora o Natal aqui”, afirma o idealizador do projeto, detalhando que a iniciativa surgiu do desejo de colocar em prática os ensinamentos cristãos.”Sei que este trabalho pode parecer pequeno, representar somente uma gota em um oceano, mas para os moradores de rua que se sentem acolhidos e para nós que recebemos o carinho deles, isso tem um significado mais do que especial.”a

Campos explica que para o sucesso do evento, os cerca de 50 voluntários da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina e moradores do bairro começam a arrecadar os alimentos e os presentes que serão dados às crianças dois meses antes da data.”Dias antes da festa, fazemos uma verdadeira linha de produção, na qual alguns separam os presentes e outros embrulham os pacotes. No dia 25, todos se envolvem descascando os legumes, preparando a carne e trazendo os moradores de rua que passamos convidando com uma Kombi”, conta. De acordo com Campos, a maioria dos convidados é de Londrina mesmo, mas também há moradores de cidades vizinhas e até de outros Estados que participam por estar de passagem pela cidade e sem condição financeira para fazer uma refeição. ”No ano passado, o pai, a mãe e os quatro filhos pequenos vieram do Mato Grosso à procura de trabalho na cidade; mas eles não conseguiram e estavam sem dinheiro”, lembra Campos, emocionado. ”Eles passaram a noite da Rodoviária, mas durante a manhã do dia 25 um funcionário pediu para que saíssem de lá. Eles tiveram que ficar em um praça próxima e foi lá que os encontramos. O homem enchia os olhos de lágrima ao me contar a história, enquanto as crianças brincavam com seus presentes. Passar aquele dia 25 com aquela família já tornou meu Natal especial.”

A possibilidade de celebrar o dia de Natal longe dos voluntários e das famílias beneficiadas pela ação soa até mesmo estranho para a voluntária Maria Luiz Martins. A voluntária que participa da ação há mais de 20 anos conta que cresceu acompanhando o envolvimento dos pais na atividade. ”Esse sempre foi o meu Natal, nunca consegui imaginar a data londe de todos eles”, revela sorridente. ”Acho que essa é a possibilidade que tenho de retribuir um pouco do que tenho recebido da vida. Eu acredito no ser humano e na possibilidade que temos de transformar o mundo em que vivemos, fazendo algo pelo próximo.” ”Fazer as crianças sorrirem, sentir a alegria delas ao nos verem não tem preço. É por isso que fazemos com todo o amor”, completa o voluntário Valmir Generoso, encarregado da reforma e Papai Noel de coração.

Fernanda Carreira – Reportagem Local – Folha de Londrina (25/12/11)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.